Um livro sobre o antes
Esta história assume que existe um antes — e vai até lá. Serna passa algumas vidas, e vivências, nesse mundo onde ninguém nasce, ninguém morre e nada falta.

Dois mundos, e os dois de passagem. Em Ostrim se vive; em Serna, antes, aprende-se quem se é — e lá os dias são compridos e não servem para mais nada.
Este livro fica em Serna, no antes, com os que não esperam a própria hora. Ninguém os impede, ninguém os lamenta: o que tem de acontecer, acontece.
O que se perde indo cedo demais é, num mundo onde nada mais pesa, a única coisa que dói.
01 As primeiras linhas
De cima, a mata é uma coisa só. Um verde parado que vai até a serra, sobe com ela e continua do outro lado. Há água: os rios descem das encostas e não secam. Ninguém sabe de onde vieram as montanhas. Ninguém pergunta.
Não há estradas em Serna. Há caminhos — chão gasto onde muita gente passou muitas vezes, levam a lugares onde há gente.
O maior fica na dobra de um vale, onde o rio alarga e o terreno é plano. Casas de pedra, casas de madeira, janela com vidro numas e sem vidro noutras. No meio há uma praça, que não foi feita: é onde as casas não chegaram.
Trabalha-se muito ali. Conserta-se telhado, levanta-se parede. O som do vale é madeira: serrote longe, martelo perto, tábua batendo em tábua. Há quem passe semanas numa cadeira, lixando o encosto até o dedo não achar mais nada, e a cadeira fica pronta, e começa outra. Ao meio-dia come-se, devagar, conversando, e quem termina primeiro espera os outros. Ninguém tem pressa. Ninguém vai a lugar nenhum.
Numa casa de madeira, perto de onde o caminho vira para o rio, um homem está sentado à porta. Ele se chama Meno. Tem uma coisa para contar, e está esperando a hora.
Continuar no livroA hora dele não chega. Então ele vai antes.
02 Por dentro
346
páginas
3
histórias, um mundo
2
mundos, os dois de passagem
Parte I
Cedo demaisdois que foram, e voltaram
Parte II
As quatro casasos que ficam e os que vão
Parte III
A última promessadois que não se encontram
Para quem já se perguntou de onde veio — e não ficou satisfeito com a resposta que dá conta só do corpo.
Para quem tem pressa de chegar a uma vida que ainda não começou, e suspeita que está pulando alguma coisa.
Para quem lê fantasia sem magia, sem mapa e sem batalha: só gente, madeira, pão e uma pergunta.
É a falta que dá contorno ao que amamos. O pão só importa onde existe fome.Nota do autor
03 Por que escrevi

Se nada pudesse faltar, alguma coisa ainda teria importância?
Este livro nasceu dessa pergunta, que não me deixou em paz. A gente costuma imaginar que a vida boa é a vida sem falta — sem fome, sem medo, sem perda, sem porta que não fecha. Serna foi o jeito que encontrei de levar essa imaginação a sério até o fim. Um mundo onde nada falta a ninguém. Onde ninguém precisa de ninguém. E onde, por isso mesmo, nada pesa.
Sou psicólogo de formação, e passei boa parte da vida ouvindo pessoas. Fui aprendendo, devagar, uma coisa que contraria o instinto: é a falta que dá contorno ao que amamos. Uma porta só segura alguma coisa onde existe vento. Tirar todo o peso de uma vida não a torna leve — torna-a impossível de sentir.
Não escrevi este livro para responder à pergunta. Escrevi para que ela incomodasse melhor. Se, ao fechar a última página, alguma coisa na sua vida tiver ganhado peso — não o peso que esmaga, o que ancora —, o livro fez o que veio fazer.
Filipe
04 Quem já leu
As primeiras vozes chegam com os primeiros leitores. Se você leu, me escreva — uma frase basta, e ela entra aqui com o seu primeiro nome.

05 Levar o livro
Impresso
Com dedicatória, se quiser
Kindle · pré-venda
Lançamento em 18 de dezembro de 2026
Frete de R$ 12 por pedido. Posto em até 5 dias úteis e mando o código de rastreio por e-mail.
06 Depois deste
Outro mundo, a mesma pergunta
A Vaga
Se em Serna se aprende quem se é, em A Vaga uma empresa decide quem você é — com uma régua.